1.10.10

precipício


quanto mais eu a acompanho mais eu quero ser o que ela precisa. ser quem segura a mão quando os olhos apenas querem mergulhar.

e ela sente a dor. desigual. eu só penso que se o amor existe, perpetuou-se água em seu joelho. precisa constantemente ser retirado porque faz doer. mas ela é corajosa, sente tudo, não foge da raia. dá pra ver tudo gritando em seu olhar, na cabeça curvada e nos riscos das mãos.

e isso a faz incrivelmente bela e trágica. e como o mais indigno dos homens, um egoísta da pior categoria, entro em contradições porque a quero resolvida e, ao mesmo tempo, amo as coisas trágicas.

Deus. permita que eu mate alguns “eu” ou, de madrugada, castre o livre arbítrio dos meus abismos. acabe com a minha necessidade de coisas trágicas, de andar pelas bordas do precipício.

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