Quando fica indo e voltando nos mesmos sentimentos você percebe que parou no tempo. Nem vai pra frente, nem encontra o caminho de volta. Passado passa. É algo pra emoldurar na parede e apenas acompanhar o esmaecer das cores. É dimensão consumada, ou pelo menos deveria ser. Você já conseguiu voltar e continuar de onde parou? Já conseguiu não se sentir um estranho dentro de tudo aquilo que sempre foi familiar, seguro? Diante tudo aquilo que sempre achaste que seria seu pra sempre? Dentro de você? A vida é feita para as coisas novas, por isso morremos a cada dia. E isso nem é um elogio ao novo, porque é notório que as coisas de antes eram feitas para durar e as de hoje têm prazo de validade exíguo, inclusive o amor. Talvez não a verdadeira amizade, mas ainda não tenho certeza. Tentar voltar é reescrever uma mesma história utilizando o mesmo papel. Percebe que não sobra muito espaço? Ou você tenta apagar e acaba borrando tudo ou escreve nos cantos. Percebe que quando apaga as marcas permanecem? É preciso absorver que não sobra espaço, por isso que é importante não deixar nada pra amanhã ou depois. Insistir no “mais do mesmo” é para os que, e nesse momento eu me incluo, têm medo de arriscar papéis novos, medo de sair do lugar confortável, medo de defuntar o passado, dos que guardam agendas telefônicas antigas, dos que ainda esperam aquele telefonema, dos que têm fé que tudo vai se resolver e que a vida vai voltar a ser boa como antes. Da mesma forma, passar a limpo um texto é apenar repetir a mesma história, não há muito heroísmo nisso. Repetir é sempre repetir. Persistir em fazer a mesma coisa, mesmo dando umas floreadas é suicídio de papel, tempo e daquilo que poderia estar se vivendo caso não se estivesse ocupando o tempo com repetições. Pra que gastar tanto esforço para se fazer praticamente as mesmas marcas? Momento auto-ajuda: Então, tira esta gravata. Abandona os ponteiros. Pra que abotoar todos os botões? A vida não precisa ser tão séria assim! Poe aquela camisa xadreza que você comprou e ainda não usou esperando o momento certo. Para de lembrar como eram bons os anos 70 quando existiam ideais e você nem nascido ainda. Abre a garrafa da vida, bebe mesmo sem entender por quê. Bebe com ganas, com vontade, como se a sede fosse te engolir, como se a garganta não desse vazão, como se as portas nunca mais fossem se abrir denovo, como se acordasse com aquele tesão sabe-se lá vindo de onde, como o coração batendo no início de uma nova história, como um sonho bom que é melhor aproveitar antes que termine.
1 comentários:
Oi, garoto!
Muito bom o novo visual do blog.
E, sobre o post, creio que deveriamos pensar nessas coisas todos os dias, todas as vezes em que ficarmos usando luvas de pelica, usando longas pinças esterilizadas para lidar com a vida, sem tocar o todo, o tudo e o si. Se for pra doer, que doa. Se for pra sofrer, que sofra. Mas que se viva, de verdade, sem restrições, sem não-me-toques, sem onze-horas, sem medo de ser feliz.
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