11.11.09

pelas paradas que me restavam

domingo fim de noite. estava no ponto de ônibus com uma carga imensa nas costas, primeiro pela tristeza de que mais um final de semana se encerrava e segundo porque esperava um ônibus lotado, visto que ponto localizava-se na metade do trajeto, mas para “sorte” minha havia dois bancos inteiramente vagos. penso em sentar no que estava em frente ao cobrador, mas acabo sentado no exatamente atrás. observar o caminho pela janela não me é um dos passatempos favoritos, por isso abro o livro “os restos mortais” do sabino, recém adquirido e começo ávido a leitura.

três paradas depois entra no ônibus uma figura muito peculiar, observo de rabo de olho. um rapaz de aproximadamente vinte anos, pés-descalços, vestimentas simples e uma pasta amarela na mão. neste momento o banco da frente já se encontra ocupado por uma senhora na janela e uma moça faceira ao lado. após passar com dificuldade por debaixo da roleta o rapaz para no meio do ônibus e pendura a bolsa amarela na alavanca vermelha junto a janela, alavanca essa que se acionada deve fazer a janela sair inteira abrindo espaço para que os passageiros escapem durante um incêndio ou acidente. penso comigo: se pendurou a bolsa certamente não sentará no único banco vago, ou seja, ao meu lado. continuo a observar agora mais aliviado.

num movimento brusco pega sua bolsa amarela e senta ao meu lado. finjo não prestar atenção, permaneço imóvel como se estivesse enfeitiçado por sabino, mas a verdade é que estou patinando no mesmo parágrafo desde que vi os pés descalços.

do nada começa a falar palavras desconexas, agora nosso banco é a atração do ônibus. depois a cada dois ou três minutos cospe no chão e passa o pé em cima, nos intervalos do cuspe tira secreção do nariz e passa nas costas do banco da frente, fico com a impressão que tenha passado também nos cabelos da moça. neste momento detém a minha total atenção.

quando abre a pasta amarela consigo ver alguns papéis amassados e o que parecia uma peça de roupa. foi um final de semana quente, a noite estava abafada e as janelas do ônibus abertas não davam vencimento, mas ele tinha uma solução, tirou da pasta amarela uma garrafa 600ml com água congelada, abriu e sorveu o pouco do líquido. com a garrafa fechada começa a bater no banco da frente a fim de quebrar o gelo e obter mais água. na minha testa dançava uma gosta de suor, nem tanto pelo calor, mas pela situação toda.

tomo uma decisão: não importa o que faça, podes plantar cambalhota, defecar no chão, não irá me afetar. reato meu casamento com sabino agora mais determinado.

não era um livro longo, quarenta e poucas páginas em letra grande.

de repente escuto uma pergunta:
- que livro é esse?
- um livro de história, repondo.

fica satisfeito com minha resposta, segue cuspindo no chão e tudo o mais e eu sigo na leitura. viro a página e me deparo com uma cartilha, destas que vinham nos livros antigos, com questões de interpretação e informações sobre o autor e sua obra.

outra pergunta:
- o que é isso?
- venho dentro do livro, digo a ele.

ofereço a cartilha como quem diz “quer ver?”, ele pega, abre, observa a foto do sabino em branco em preto e depois me devolve. fico com a impressão que não sabia ler.

mais algumas paradas, outras batidas com a garrafa, outras palavras desconexas e, do nada, se levanta e desce do ônibus apressadamente.

depois disso o cobrador meu olha, a moça e a senhora do banco da frente se viram e também me olham, sinto os demais olhos na minha nuca, todos como se implorassem por algum comentário, uma opinião, que eu não tinha.

naquele momento, sem saber o que pensar - menos o que dizer, me sentia como o personagem do livro, só queria que tudo terminasse o quanto antes, da mesma forma que ele deveria olhar para os restos mortais que lhe cabiam eu permanecia hipnotizado pela garrafa, descongelando, ao meu lado, pelas paradas que me restavam.

10.11.09

bom dia

eu vejo um filme todas as manhãs quando acordo e tenho que levantar, daí tento capturar o último calor do teu cobertor antes de acender a luz. eu não gosto de ser o primeiro a partir quando a noite se vai (acho que isso explica muito do porque nunca estou pronto pra dormir, muito menos pra te soltar ao levantar).

adoro o teu jeito de falar besteira, mas espero que percebas que o ouvido é a segunda parte mais sensível em mim, a primeira é o coração.

faz-me infinitamente bem quando consigo perceber que teus olhos sorriem também.

nem sei se merecia ter te encontrado, ver você me olhando assim e sentir o teu mamilo sensível, sim.

sinto que te toquei onde eu me tocaria também.

bom dia.

9.11.09

nada mais!

hoje eu não quero saber. nenhum ton irônico vai me afetar. não me venham com suas verdades incontestáveis, seus jornais e suas mentiras bem escritas. não me interessa quem foi mais fútil desta vez, quem é a "boazuda" (expulsa da Uniban?) ou boazudo (Ben Hill) do momento. não me interessa onde o presidente está, que se f#da o presidente, o pai do michael jakson (pedindo pensão do filho morto, onde já se viu?!) e o diretório do Oliboni. que morram esses todos no relaxar e gozar típico dos últimos tempos. que durmam todos os outros. hoje eu acordei mais cedo só pra acompanhar o despertar dos TEUS olhos castanhos, nada mais!

29.10.09

drão, drão

às vezes faço planos, às vezes quero ir pra algum país distante, voltar a ser feliz...
(r.r.)
.
“vem primeiro a barriga,
em segundo vem amar,
em terceiro vem a briga
e beber, em quarto lugar”
(b.b.)
.
"De vez em quando é preciso embriagar-se para não perder a cabeça."
(s)

27.10.09

franqueza

sabe por que eu não te dou a chave? não te dou a chave porque você nunca realmente quis entrar. você fica ai me rodeando com este sorrisinho, com esse papo de quem não vai nem fica. dizendo coisas fáceis com frases feitas. PÉRAÍ cara! minha caderneta de vacinas ta completa. eu só estou falando isso pra VOCÊ não se enganar. não, eu não sou uma pessoa triste eu apenas estou triste e tal, mas também isso vem de antes de você, não pense que merece todos os créditos, que é o primeiro que vem aqui e se mostra, faz toda esta campanha, sem ter nada por trás pra oferecer, só medo. medo de algo que realmente valha a pena, terrível medo de pertencer. porque eu fiquei? fiquei por dois motivos, primeiro porque sexo é bom, eu gosto e você até dá pro gasto, ponto. segundo porque queria ver até onde você iria com toda esta banca. mas agora essa historinha cansou. desculpa a franqueza.

20.10.09

você tem

é preciso ser forte. é preciso enfrentar os dias ensolarados, tornar produtivos os chuvosos, mesmo que a chuva signifique ficar em casa comendo cueca-virada e lendo aquele livro que você comprou e tanto se promete achar tempo para ler (e que maravilha não seria isso, não achas?).
.
é preciso rir de si mesmo quando tropeça e cai idiotamente, quando fala uma asneira na frente da pessoa que você admira ou mesmo quando desengata a chave no poste da luz e você fica na escuridão temendo o banho frio no inverno.
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é preciso descobrir porque não dão certo suas investidas, porque teus relacionamentos não duram mais de dois, três, meses, porque sempre no final do ano a receita te conta que você ganhou uma bolada no ano passado e você nem lembra se já viu, com as mãos, o bicho da nota de cem.
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é preciso achar um jeito de não levar a vida muito a sério, dar uma desacelerada de vez enquanto, tomar aquela cerveja bem gelada como os amigos e comer, sem remorso, aquelas coisas maravilhosas (bem gordurosas de preferência).
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é preciso não ser burro ao ponto de perder todas as suas referências, não vale a pena viver cem por cento do tempo surfando entre os tubarões (tipo quem pensa estar entre um passado que foi bom mas que não volta mais, um presente que não satisfaz e um futuro de conto de fadas que estressa por nunca chegar).
.
é preciso parar as vezes e só respirar (fundo). quando estiver parado lembre de abstrair, não pensar em nada, só observe verdadeiramente (deixe por um instante de lado aquela cara de paisagem tão típica dos dias atuais), observe nem que seja aonde vai a formiga que caminha na parede do teu quarto, as pessoas que te tratam com despretensiosa educação, os anjos que facilitam diariamente o teu caminho e você nem percebe, reconhece.
.
é preciso lembrar-se que há sempre tempo pra mudar as coisas, pra acordar bem cedinho e correr atrás, mas tome cuidado em não esperar demais porque quando se vê lá se foram 5, 10 anos e você ainda está cometendo os mesmos erros de quando deu o primeiro beijo e instantaneamente já estava sem coração, sem cérebro e sem saldo no celular.
.
é preciso, enfim, não se perder em palavras, situações, pessoas, decisões que não te acrescentarão o mínimo de um sorriso, o mínimo de um inspirar, o mínimo de uma expectativa que te devolva o brilho dos olhos que eu sei que você tem.

7.10.09

(meu)mundo!

não é para este mundo, mundo cão. ser doce, verdadeiro. alguém que é feliz com pouco. que se envergonha ao ganhar um presente, e se é roupa e pedem para experimentar, diz que não precisa e corre corada para o quarto. essa não descendeu do macaco, com certeza deus fez e não estava namorando como diz a música, ele tava sim é tendo um orgasmo psicodélico. outro ser igual não existirá, pois amanhã ela faz 60 anos e o criador certamente ainda não faz a mínima idéia de como tudo começou. deve ter fumado a receita. desculpem-me, mas EU tenho a melhor mãe do mudo!

1.10.09

mais, humano

dentro de mim há outro. esse, o outro, é que anda pela madrugada, senta em calçadas, por vezes fuma, bebe e adia as horas de sono. é por mim que ele sente vontade de gritar, ânsia de vômito, crises de choro, uma angústia que nem cabe. em meus momentos de crises é a boca dele que seca, que tem palpitações, taquicardia, dificuldades em respirar. quando a noite termina e nada mais faz sentido só ele faz o caminho de volta comigo. quando ninguém mais se importa é ele que segura forte minha mão e carrega o peso da metade do meu silêncio. é ele acaricia meu coração quando só querem me matar o tempo e a saudade. enfim, é ele que me faz sempre voltar aqui (e ai), ter fé e ser cada dia mais, humano.

23.6.09

Tchello Palma - Memorabilia

29.4.09

as portas da casa vão estar sempre abertas

não há muito o que escrever. ultimamente andam o vácuo e a falta de tempo de mãos dadas aqui comigo. cai em uma toca de coelho e fui parar num mundo povoado por criaturas peculiares e antropomórficas. minha vida resume-se agora a estudo para concursos (continuo apanhando das vírgulas). não há mais tempo nem pra ler minha velha e boa literatura (até genet me trocou por outro e saiu por ai). o que está me salvando hoje é a neosaldina e os amigos que continuam mantendo-se presentes mesmo eu cada dia mais ausente. sinto saudades das minhas e das letras de vocês, sinto muitas saudades daquele tempo de LV, do tempo em que tentava fazer meu visinho Wiskon prestar menos atenção nas mulheres gigantes e quem sabe alguma em mim, tempo em que queria dividir minhas calçadas e que, entre muitas outras belas manifestações de letras não próprias, queria ler/ter absolutamente tudo o que débora lopes escrevia (hoje nem sei por onde ela anda), mas também pensando no tanto que já caminhei neste mundo estranho, no quanto já abdiquei do tudo que podia e de até muito do que não vai voltar mais, agora não dá pra parar. tudo que posso escrever neste momento é que, talvez amanhã, quando eu puder ler meu nome em uma posição suficientemente suficiente de uma lista qualquer eu desacelere e pare de me sentir tão como aquele coelho branco e, daí, possa fazer o caminho de volta. não pretendo me render. continuem escrevendo. tenham sempre belos sonhos. as portas da casa vão estar sempre abertas.


"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare".
Lewis Carroll

16.2.09

Santo

Uma visão do futuro. Duas ruas. Nada dependia mais de mim. O gosto era duvidoso, doce frio, quente amargo, pelo menos no começo, quando se procura não pensar em tudo que representa. Eu tenho o maldito problema de levar a vida muito a sério, as pessoas muito a sério, o que eu penso muito a sério. O déjà vu me persegue, parece que sabe que eu tenho tanto medo dele. A Vodka encoraja, “ajuda”, mas não é fácil você estar ciente que está pisando no que acredita. Não vou mentir que não gostei de quando os olhos estavam fechados. Também não vou me explicar. Odeio explicações, pedidos de desculpas, promessas de que não se vai fazer mais, mentiras comuns. Nem eu acredito mais nas minhas. Nada soa mais falso do que alguém se explicando. Colocou na boca, não adianta cuspir no chão, assume, engole (a) porra! Cabeça cheia é foda. Hoje eu só tenho para você um sorriso amarelo de consciência pesada, então pare de dizer que eu sou bonito!
Talvez passe, fique ou talvez vicie. Nada é pra sempre, falam...
Os que se dizem santos são os piores.
A partir de agora eu estou me incluindo.

10.2.09

e eu que nem sabia mais o que era receber atenção de olhos tão sinceros, de um céu gigante saindo num sorriso só pra mim. foi assim que você veio em meu sonho. e eu, mesmo dormindo, quis dar tudo que tinha. o músculo involuntário correu destrambelhado e não consegui não acordar. nem sabia quem era você mas eu tentei tanto, tanto, voltar a dormir. agora eu já não tenho nenhuma dúvida que hoje será um dia bom, e que vai ser melhor ainda quando eu puder te encontrar.

21.1.09

imagina agora

Hoje eu tive um sonho. Foi com você que eu sonhei. Segurava minha mão e me puxava, eu apenas caindo noutro sentido. Dizem que sonhos se manifestam tudo ao contrário, talvez fosse eu querendo te puxar, mas você vai no sentido contrário.
Quando acordei ouvi o silêncio, senti o frio, a cama tornara-se gigante e as paredes cada vez mais descascadas da umidade. Sentei na cama e pensei em tudo que eu tinha pra fazer. Olhei com dificuldade pro relógio, abracei forte meus joelhos, sensação de meio do caminho. Mais um dia, tantas coisas pra decidir, nenhum ânimo e o relógio já dizendo que estou atrasado. Vida esvaindo-se por estes olhos deficientes pra enxergar longe. Por um momento eu entendo o que faz uma pessoa pensar em por fim nisto tudo. Saio correndo, pego o ônibus, as mesmas caras de sempre, entro nos apartamentos anunciados, mais paredes tristes. Vontade de chorar, vontade de te puxar pra perto de mim. Não é fácil ser homem de coração frágil. Não é fácil ficar imune a toda solidão destes minúsculos apartamentos, desocupados de vida, de um quarto. Eu preciso aprender a secar paredes. E o pior, martelando na minha cabeça, é que não sei se fiz certo em bancar o forte e não te dizer, quando você estava partindo, que você estando aqui já me fazia tanta falta... imagina agora.
(agosto)

12.12.08

impulsivo, intenso e impuro. dizem que sou bom, mas não concordo. bebidinhas, bocas sem nome, fumaças adocicadas e rockzinho (yeah yeah). bom humor inteligente é obrigatório. odeio a claridade da manhã. amo madrugadas, insônias e a voz do cazuza, renato, oswaldo ou qualquer outra afinada e/ou rouca cantando baixinho no ouvido. se você tiver mais idade que eu, souber lamber direito meu ouvido, falar espanhol ou tocar violão vai ganhar pontos. indecisão, confusão, rompantes e loucuras. olhar sempre atento, penetrante e algumas vezes com quartas intenções. sou mais do preto do que do branco. paixão instantânea por tudo e todos que sejam temporariamente impossíveis ou estranhos. se o teu passo for marcado ou ensaiado eu não vou te acompanhar. não gosto de gente morna, não gosto de nada morno. se você baixar a cabeça e não for pra chupar não espere que eu te respeite. se eu não tiver afim não arreta e se eu tiver dormindo não me acorda. muitos livros, filmes e amigos é do que preciso. enrijeço rápido, mas tenho o coração mole e a facilidade de me apaixonar por quem não ta nem ai. enfim, aos poucos estou aprendendo a também não estar. ultimamente a vida tem vindo e me levado com ela, por isso não tenho acessado isto aqui tão constantemente, mas, de qualquer forma, se quiser, deixe sempre seu recado.

10.10.08

Aprendendo

Eu não tenho natureza limitada, e como sei disso.

Sim, sou duro demais, mas não é por acaso.

Quem me critica nada sabe o que é ter pensamentos confusos, que tornam tudo mais difícil.

Não acredito em quem diz que nunca fez nada de que se envergonhasse. Que não se arrepende de nada.

Quem não se arrepende é porque não se proporciona o verdadeiro aprendizado. Aquilo que não se encontra nos livros de auto-ajuda, no barato espiritismo de esquina nem nas canções da Aline Barros. Aquilo que ninguém pode incutir em você. O aprendizado que só você pode se proporcionar.

O errar é humano, seguir em frente sem aprender nada com ele é burrice.

Eu me arrependo, envergonho-me, conheço o inferno verdadeiro. No momento que se percebe a cagada é difícil, frio na espinha, dor de cabeça, mas depois que passa faz bem, me dá mais segurança nas coisas que digo. Mais verdade pra seguir em frente.

Pra mim nunca foi pecado olhar para trás.

Tudo isso me faz parecer insensível, mas a verdade é que preciso de tempo até mesmo para sentir.

Por instinto, defesa ou simplesmente medo, no primeiro momento presumo que nada de realmente bom ocorre assim, sem que precise dar algo maior em troca, e resisto ao invasor, resisto tanto que muitas vezes saboto-me, tropeço nos meus próprios pés.

Mas uma vez afetado, tocado, porém, sinto de modo intenso, e minhas sensações são particularmente profundas.

Amo mesmo. Não me ponho limites à entrega. Amigos e amores, quem me cativa sempre terá o melhor em mim.

Nesse momento me peça a lua, o êxtase, e eu lhe proporcionarei. Mas, não brinque com meus sentimentos que meu coração é como criança de apartamento, não tem muita imunidade.

Foram muitas noites insones e dias solitários a consumir-me. Agonias, ligeiros arrependimentos. Descompassos exacerbados em minhas artérias a ponto do frenesi. Reações simultâneas dando-se de dentro para fora e de fora para dentro, até tocar a raiz de onde derivam tanto o corpo quanto a alma, o “eu verdadeiro” que tentam diariamente condicionar, padronizar, ocultar.

Não tenho muitos tabus e aqui dentro há tantos novos mundos pipocando, prontos a se libertar.

Não mais permanecerei de cabeça baixa, olhando habitualmente para dentro de mim, diante desse mundo de conhecimentos a me acenar. Não limitarei minha própria vastidão, nem serei minha própria ruína.

Procurarei compreender todo êxtase perdido, recuperar toda comunhão desperdiçada.

Quero mais que duplicar minha força e crescer até, quem sabe, assimilar minha finitude e com isso viver, de verdade, intensamente cada minuto.

Não partirei sem ter conhecido o júbilo.

Sem ter feito a diferença.

Sem ter a certeza que tudo valeu a pena.

E que não é preciso voltar (se é que existe volta).

3.10.08

Franciele

Meu cabelo voa
a areia entra em meus olhos

É o vento tentando me avisar
que o tempo iria agir
fazendo o mundo girar
nosso presente terminar

Eu choro
porque sei que vou passar pela tua rua
olharei mil vezes para o teu prédio
e um dia desatento
como sempre, apertarei a capainha 210
e eu só vou me dar conta
quando uma voz desconhecida disser
que não mora ninguém com teu nome lá

Desculpe-me o drama!

O problema sou eu
que ainda não aprendi (e talvez nunca aprenda)
a lidar com a mais linda e mais triste
palavra da nossa língua

saudade.

(dezembro/2006)

---------------------------------

~> Parabéns! com você eu aprendi o real significado da palavra amizade. descobri também que distância nenhuma pode fazer desaparecer o que a gente sente, quando o que a gente sente é verdadeiro. Enfim, saudade é mato. Feliz Aniversário!

11.9.08

Joana

Fez beicinho, disse que não queria, que ele tinha sumido sem explicações e agora ela não podia mais. Mas ele insistiu, disse que não faria novamente. A apertou contra o corpo seu, a olhou com aqueles olhos de Vadinho, beijou-a forte, mordeu seus lábios, seu pescoço e quando a língua alcançou sua orelha ela não pode mais, perdera as forças nos joelhos, não conseguia abrir os olhos. Sua orelha, sua vertigem, seu ponto fraco.

Abriu a porta do carro e ela entrou faceira, quando ele deu a volta ela destrancou o pino da porta pra ele, vira em um filme que se uma moça não destrancar o pino da porta para o motorista entrar essa seria muito egoísta e não valia a pena entrar no carro, ou, muito menos, na vida de qualquer um. Quando girou a chave os olhos dele brilharam com o barulho do motor, ela só pode sorrir e colocar a mão em sua coxa após a segunda marcha. Ela sempre amara aqueles olhos e ficava completamente feliz quando eles brilhavam junto com aquele sorriso. E como ele sabia usar aquilo contra ela.

O céu preto, nenhuma estrela, a lua branca, soberana, e a cada sinal vermelho ele segurava sua nuca com aquelas mãos gigantes e a beijava como se seus lábios fossem um oásis no meio do nada. Ela não resistia, nem que quisesse, não podia, na verdade ela nunca quis resistir.

Quando chegaram ao destino e o portão automático começava a movimentar-se, abriu sua bolsa VH falsificada e tirou seus óculos escuros. Quando estava com ele, não gostava de ver o rosto de mais ninguém, usá-los, principalmente à noite, era como trancar o resto do mundo do lado de fora do seu momento mais-que-perfeito (era sua desculpa preferida para disfarçar sua vergonha com atendentes de motéis).

Ele abraçado nela por trás, os dois caminhando torto e sorrindo até a porta 19, um tapinha naquele lugar que não dói, ela girando a chave três vezes sentido anti-horário e quando a porta se abriu um lugar simples, um pequeno corredor, um banheiro estreito de cerâmica pobre, duas toalhas brancas, dois sabonetinhos amostra grátis, uma TV daquelas antigas de apertar botão, a lâmpada pintada dando um tom avermelhado ao ambiente e uma cama redonda de lençóis brancos, no centro de tudo.

O amou da ponta dos raros cabelos negros aos dedos dos pés bem cuidados, da bunda pequena, ótima para beliscar, ao pau grande e rijo, da vontade de ter a sua vontade maior de que ela tivesse prazer, da sua língua dura e úmida as sensações que ela provocava em cada parte do seu corpo, do momento que ele ligou no seu celular e o coração disparou ao final do show do U2, no Morumbi, que passava ao vivo na TV pequena aquela noite.

O amou desde a primeira vez que o viu com outra e se prometeu que aquele brilho nos olhos seria seu.

O amou até não suportar mais seus olhos opacos, chorando escondida, por ora pedindo a Deus pra que ele voltasse, outras ao coração que o esquecesse.

Nunca foi atendida.

21.8.08

Eu quero!

Coisa mais linda. Vai chorar fofo assim lá em casa.

7.8.08

Pedras

Algumas pessoas guardam fotos, cartões, cartas de amor...

Outras guardam bilhetes de viagem, postais, cardápios de restaurantes, por onde passaram...

Ele junta pedras.

No cemitério onde a lembrança de sua vó permanece, pegou a primeira.
Aquela velha surda, muda, rabugenta e de cabelos de algodão doce merecia que a primeira pedra fosse sua.

Para lembrar do primeiro amor de verão juntou a segunda.
É difícil guardar o que não nasceu pra durar, pensa quando olha para aquela pedra de areia.

No Chile, logo após quase se afogar, em um rio de lindas pedras vulcânicas, juntou a terceira. Uma pedra preta redonda. Quando a olha ele sabe que a vida é tão importante que não pode ser vivida, da mesma forma que entrou naquele rio, com descuido.

Na Argentina pegou uma pedra suja, destas de beira de estrada. Era assim que ele se lembraria daquele povo.

Na cidade de Guaíba no Rio Grande do Sul juntou uma brita.
Foi no tempo que eu pensou poder amar o que já nascera para ter o coração concreto.

Na sua primeira noite em um motel roubou a pedra usada como peso de papel na recepção.
Esta lhe diz pra tomar mais cuidado, com as expectativas que tem das pessoas, pra não se sentir usado novamente.

Na cidade de Novo Hamburgo juntou uma pedra de jardim.
Uma das suas preferidas. Gosta de olhar pra ela e lembrar que é um ser que pode ser amado, basta que esteja com o coração semente.

Na Bahia em meio a um trio elétrico avistou uma pedra marrom, foi como se ela o tivesse escolhido. Essa lhe diz que a felicidade precisa apenas de boas e divertidas pessoas, música, banho de suor e lua.

Em sua formatura pegou uma pedra branca que fazia parte da decoração.
Quando a vê lembra que tem muito caminho pela frente e muitos outros sonhos para realizar.

No começo bastava apenas uma mão, um bolso.

Hoje, sempre que olha para aquelas pedras maravilhosas lembra daquele garotinho, em frente ao túmulo de sua falecida avó, cheio de vontade de viver.

E ele continua vivendo muito aqui.

19.6.08

Jane

Fechou blusa, jogou os cabelos para trás, ajeitou bem os seios – benza Deus, que bem feitos – com aquelas mãos delicadas, de quem nunca pegou no batente pesado, e saiu batendo a porta.

Era preciso entendê-la e não simplesmente contrariá-la. Não sabia como reagir, por isso saia batendo portas. Desde o primeiro choro aprendeu que sempre teria tudo o que queria, como uma boa filha única, de quem, com boas condições financeiras, tivera filho após os 35 anos e muitas tentativas frustradas.

Ninguém conseguia segurá-la, muitos tentaram, mas poucos entendiam que seu gênio era de dominadora e não o contrário. Homens caretas. Falando nisso, aquelas mãos delicadas escondiam uma força inexplicável. Às vezes, maioria das vezes, era como se algo a possuísse, me pressionava contra o colchão, cabeceira da cama ou parede mesmo, segurava minhas mãos, braços, pescoço, outras meus cabelos e me beijava, mordia, lambia e até chupava com voracidade. Tratava-me como objeto, como algo pra saciar sua fome de pele, e eu adorava isso.

Jane não era exatamente uma mulher modelo, nunca seria miss, mulher samambaia, melancia, essas coisas padrãozinho TV sem conteúdo. Poucos olhavam para trás quando ela passava. Era, visualmente uma mulher comum. Também - decidida que só ela - não se importava muito com isso. Mas só quem compartilhava os seus lençóis, sua boca e olhar insaciável, reservado apenas à intimidade, sabiam exatamente o que sente quem desmaia/morre durante o sexo.

Eu, indiscutivelmente, era apenas mais um a tentar por cabresto naquela égua xucra e deliciosa de montar.

Quando a porta bateu eu sabia que voltaria a ver Jane quente e úmida, embaixo e encima de mim.

Sabia que ela, mesmo contrariada - que eu duvido, voltaria àquele quarto. Questão de tempo. E eu já estava pronto para que no momento que ela entrasse lhe surpreender, segurar seus ombros por trás, apertar seu corpo junto ao meu, morder seu pescoço e dizer, com voz de sussuro, mas aquecendo seu ouvido com a respiração, que só me batendo ela sairia da minha vida. Era só questão de tempo pra ela tentar sair dos meus braços, a gente cair na cama, dela me dar uns bons tapas com aquelas mãos delicadas e fortes, me segurar, morder, beijar, lamber e até chupar.

Jane não gostava de quem se deixava dominar fácil. Pra mantê-la tinha que provocá-la, partir para a luta, tinha que produzir suor, gostar de morder e ser mordido, de tapas, tinha que deixar seus mamilos rijos, sua vagina pulsando. Se não fosse assim, jamais alguém teria Jane, jamais alguém teria a certeza e o prazer de ver seu sorriso de mulher gozada, feliz.

Depois de um tempo Jane se foi, como sempre batendo a porta, pensei que voltaria, fiquei muito tempo preparado esperando para surpreendê-la, nunca mais a vi, nunca a esqueci.

Nem sei se posso dizer que a tive, só posso dizer que Jane era assim, única.

6.6.08

Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila

Sabedor da partida
Tua falta já me faz companhia
Pensar neste velho apartamento, nestas lajotas caindo
Eu apenas com meus silêncios
Estômago

Você é o único lugar em que me sinto em casa
Sigo sem chão
Dor de cabeça, pressão
Distância, distanciamentos, futuro
Parênteses, colchetes, reticências

Hoje acordei e parecia manha de agosto
Um outro lugar, você apenas tem que ir
Eu, me encontrar, perdido
Vagando, sem rumo, sobre o sol
Nada a dizer, menos a fazer

Antecipadamente, aqui comigo o vazio
E a saudade, como sempre, que me vence
É difícil amar algo fora da gente
Tenho medo de ficar, deixar ficar, pra trás
My lord dê a esta alma inquieta um pouco de paciência

Feliz dia dos namorados pra vocês...

27.5.08

Primaveras

Minha lembrança mais antiga, também uma das mais felizes, é de meu irmão e irmã mais velhos e eu no Parque da Redenção com nossa mãe. Fazendo uma das coisas que hoje não se pode mais fazer por lá. Uma possibilidade que não poderia ter acabado. Triste. Algo que deixava o parque mais divertido, mais charmoso, mais humano.

Saudade do tempo em que se podia alugar bicicletas na Redenção.

Éram momentos felizes, cada um com sua bicicletinha alugada. A minha tinha rodinhas, eu já era o guri gordinho, sem equilíbrio-desastrado (que ainda sou), emburrado da família naquele tempo.
Hoje está tudo mudado, deixei de ser tão emburrado, acabaram com as bicicletas e o parque virou uma mistura de avenida paulista em dia de parada glbt, calçada da fama e, ao fundo, os animais do minizôo abandonados, agonizando em jaulas enferrujadas (qualquer dia chamo Guillermo Vargas Habacuc para mostrar que a arte dele não é tão original por aqui).

Não é fácil ter memória morando nessa cidade.

Desculpem meu momento Casimiro de Abreu retardado.

Eu só queria poder alugar minha bicicletinha com rodinhas de volta!

5.5.08

...

Meu pai e eu somos opostos e iguais ao mesmo tempo. Altura, barriga, signo e temperamento. Ele é tão inteligente e mais tão cabeça dura, que me dói. É tão mandão que às vezes quero que ele simplesmente suma. Juro que, nos meus pensamentos, já reservei milhões de vagas em asilos para ele. Meu pai é meu calcanhar e o pontapé que me empurra para frente. Eu já chorei muito por causa do meu pai. Acho que ele já bebeu muito por minha causa também. Não é fácil ser pai de alguém feito eu. Não é fácil ser eu também. Minha lembrança mais antiga de meu pai é dele sabatinando os padrecos lá da capela, perto de casa, sobre a Bíblia. Coitados, pensavam que estavam falando com um leigo estavam diante de um ex residente de colégio interno super rígido com os estudos religiosos. Meu pai é isso, alguém que vai ficar no meu pensamento, nas minhas cicatrizes, nos meus amores mal resolvidos. Vai ficar no meu coração, errante coração da juventude que não entende das coisas. Meu pai é um exemplo. E é muito duro admitir isso...

1.4.08

Encontro


Comecei a ler o livro “O encontro marcado” do Sabino, e nas primeiras páginas me encontrei com este texto.


O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.”
(De uma carta de Hélio Pellegrino.)

17.3.08

Quinta-feira, 23:30


A voz estava carregada

Alguém, que não eu, estava tomando corajem

Antes de começar a falar uma pausa pesada

- Eu não sei por onde eu começo, ele disse
- Começa pelo começo, disse eu
- Eu não paro de pensar em ti, de uma vez assim sem respirar ele disse
- ... glup, quando você pediu meu telefone eu já imaginava que pudesse ser algo assim, é uma pena que eu não possa corresponder, disse a ele
- Porque? A voz já inundada
- Porque eu já sou comprometido
- É uma pena mesmo, ele disse antes de desligar

Ele não foi ao curso na sexta-feira...

Agora temos que conviver com isso mais uns dois, três meses

Eu já estive do outro lado de uma história assim,

Mais de uma vez escutei um não...
“não é você, sou eu...”, “você é um pessoa maravilhosa, MAS...”

Não é nada fácil tomar corajem pra se declarar.

Não é nada fácil ouvir um não.

Ainda mais quando se tem que conviver com a pessoa depois disso...
Mesmo que a nossa amizade não seja mais a mesma depois disso, e não vai lógico, espero, de verdade, que ela continue. Mas isso não depende mais de mim. Se eu estivesse em seu lugar eu iria querer distância, mas não estou, enfim...

7.3.08

Comentando "Chamem os enfermeiros" de João Pereira Coutinho


Concordo PLENAMENTE que existem muitos atores idiotas. E que a culpa é da imprensa (num primeiro momento) que concede espaço e oportunidade para que criaturas intelectualmente imaturas possam dissertar sobre os males do mundo. Isso que vocês fazem é pela grana? pela imposição dos patrões de vocês? porque vocês também são idiotas, fãs baba-ovo ou todas as alternativas são verdadeiras, alternativa E?

Mas também concordo com Marion Cotillard quando fala do 11 de setembro. Ta na cara que foi trabalho encomendado pelos próprios estadunidenses, para ter motivo de continuar sua cruzada ($$$$$$$$$$$$$$$$$$$) contra o terrorismo (sei...). Como se o EUA não fosse o maior terrorista (sanguessuga) do mundo (ops, isso é detalhe, sorry)!

Quanto à questão da ida do homem a lua, acredito que tenham ido sim. Convenceram-me. Mas também me parece, no mínimo possível de duvidar, que a primeira vez foi meio balela. Até porque tinha, na época, toda aquela coisa da supremacia bélica, quem teria maior poderio militar, os capitalistas ou os socialistas/comunistas. Vai me dizer que as armas neon dos seres verdes, cinzas, de cabeça formato de pêra e olhos de abelha anabolizada não são melhores que as dos seres “humanos”? Se procurares na net (acho que no You Tube deve ter) vai até encontrar cirurgia/perícia em ET’s, datada do período de 69 (Nem o ano ajuda pra dar seriedade/confiabilidade ao passo de miss de Neil Armstrong).

Também queria que aquele pequeno passo para o homem, o qual diziam que seria um grande passo para humanidade, tivesse sido realmente.

Não mudou em nada a vida dos meus avós, muito menos dos meus pais e pra mim me parece que não serve(iu) de nada.

Não tenho a “beleza e elegância extremas” da Cotillard, mas esta é apenas a minha opinião.

Texto "Chamem os enfermeiros" - http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/joaopereiracoutinho/ult2707u377800.shtml

22.2.08

Não precisa mudar

Sabe, hoje acordei com aquela música da Ivete e o seu ex-namorado-ficante-vuco-vuco-lindo-bunito-gostoso-sorriso abundante e olhinho manhoso na cabeça. Aquela que diz que não precisa mudar, que ele(a) vai se adaptar ao jeito do outro, aos seus costumes e defeitos. No primeiro momento a gente acha a música legal, é do tipo que desce redondo, gruda, mas não é tão agressivamente grudenta como “hoje é festa lá no meu apê...” ou “to nem ai, to nem ai...”, também não exige destreza nem mais do que dois neurônios pra decorar, escutou duas vezes já ta cantando o refrão e a Ivete tem pernas que cantam maravilhosamente bem. Mas pensando melhor na letra, não é tão fácil assim se adaptar a pessoa supostamente “amada”, ainda mais no começo do relacionamento, naquele momento mais “paixão”, “novidade”, que muitos insistem que já é o momento do bendizer “amor”. Nesse momento fazemos vista grossa, achamos bunitinhos, lindinhos, fadinha, sereiazinha, os defeitINHOS do outro. Achamos ótimo que ele tenha ciúmes, pois isso é sinal de amor e precisamos ser amados, mesmo quando não saibamos que amor próprio vem primeiro (pra alguns isso é mentira, comercial de margarina). E se o ciúme é nosso, até damos um desconto, esquecemos por momentos, seguramos o faixo pra não ser a parte chata do relaciomento, pelo menos não no início enquanto o coelho ainda não entrou na cartola. No começo de um relacionamento não tem tantas cobranças, as duas partes ainda estão se espreitando, representando, conhecendo seus limites, suas embaixadas (coisa típica, básica). Continua a música dizendo que no final fica tudo bem, os dois se ajeitam numa cama pequena (pra mim cama pequena não dá, também não sei se tudo, realmente, se resolve embaixo, ou encima dos lençóis, edredons. Por favor, não respire no meu cangote quando tento dormir, não gosto, obrigado!), um deles tem maior sensibilidade e faz um poema e cobre o outro de amorrr. Pensando nessa parte da música fica claro que um ama mais, e é NORMAL isso, por mais que a gente queira ser retribuído, que a gente queira ser amado na mesma intensidade, gestos, consideração e carinho, as coisas não funcionam assim! Já conhecem aquela frase clásica “quem dá amor não quer dizer que vá receber amor de volta”, às vezes até recebemos, às vezes o amor recebido é diferente, outras só retorna carinho (que erroneamente entendemos como amor, daí ta feita a KKK), outras apenas recebemos consideração ou nem isso (tem gente que só quer abusar do nosso corpinho mesmo). E digo mais, quando a gente ta na espera é porque não é amor, se fosse não precisava esperar, então antene-se baby, é outra coisa. Cada vez mais as pessoas não estão disponíveis pra esse sentimento tão antigo, pesado, que necessita de tempo, o que “não” dispusemos hoje. Não sei se o culpado é os EUA com a sua forma de governar o mundo, se é a sociedade mesmo que mudou e nós, cachorros caídos da mudança, ainda não entendemos que realmente não caímos, fomos jogados pra ver se batíamos com a cabeça e assim, passássemos a entender que as coisas não são mais como antes, que não dá pra voltar atrás, ficar chorando o leite derramado, as coisas que não fizemos, as que nunca vamos fazer por motivo A, B, D, E, F ou G, as pessoas maravilhosas que não conseguimos amar e as que nunca vão nos amar do jeito que gostaríamos. Saudosismo é coisa de domingo a noite, segunda já deve estar morto, de morte morrida. Já fiz muitos poemas pra quem não tava nem ai (fodam-se os poemas e seus musos e musas). Dando prosseguimento a música... então você adormece (provavelmente pelo tédio do poema meloso), o coração (do que fica acordado) enobrece [não tem como não achar bunitinho alguém dormindo, é aquela sensação de ter alguém tão desprotegido, pelado(a) de tudo de ruim na vida que insistimos em carregar. Quando a gente dorme é como se voltasse a idade de um ano, ficamos assim serenos, calmos (pensem que ninguém ronca, peida, só respira baixinho, descansado)]. Para mim as pessoas ficam lindíssimas dormindo e também no exato momento que acordam, mas isso é uma coisa subjetiva, uma percepção minha. Lógico que não podemos esquecer que tem pessoas que acordam com a cara inchada, o cabelo todo engruvinhado, mal humoradas e com bafo de onça, puts, mas abstraiam, a chave é abstrair... (Pense que você está numa ilha deserta, mas com shopping center 100% liberado, com a Angelina Jolie ou com o marido dela, aquele do filme Lendas da Paixão sabe?, fazendo todas as tuas vontades, TODAS!!! Mãe, fuiii) e pra acabar a música diz que depois que um domiu, o coração do outro enobreceu, a gente (quem ficou acordado lógico, quem normalmente ama mais lógico, quem normalmente se importa lógico) sempre se esquece, se esquece de tudo o que passouuuu. Não sei, sinceramente acho que até poderia esquecer, já fiz muita força para tal, mas o esquecimento é momentâneo. Quando algo te incomoda, não adianta fazer de conta que não existe. O bicho cresce, fica insuportável, uma hora vai dar congestão, certo. Também não dá para entrar num relacionamento tentando mudar o outro (Tão batido isso né?). Ainda mais quando o que se quer mudar é o amor, ou a falta dele. Também não dá pra ficar achando que mesmo que o outro não te ame (e a gente sabe quando não é correspondido) só o teu amor vai bastar pros dois, reafirmo por experiência própria-conhecimento de causa, não basta! Amor não é uma coisa que se coloque dentro do outro, amor é uma coisa que nasce dentro e vem pra fora, não adianta forçar. Também não é que não baste, é que as coisas não são assim. Veja: “um + um” é dois, but “um + zero” continua sendo um, um solitário, um infeliz, um esperançoso sem futuro. Tem vezes que até “um + zero vírgula seis” não funciona, na calculadora se tu colocar a função “sem nenhuma casa decimal” até aparece dois, mas na vida real, mesmo que a gente abstraia aqueles décimos faltantes, fica incompleto, falta, não tem jeito. É como um quebra-cabeça da Mona Lisa, se eu perder a pecinha da boca, ou a do olhar, já era. Não to dizendo que é impossível, até já falei que é normal um amar mais que o outro, mas as vezes é dar murro em ponta de faca, não tem jeito. Ou melhor tem jeito. Ou melhor ainda: "o que não tem solução, solucionado está". Por fim, acho que na música, a única coisa que não é questionável é seu título. Não precisa mudar.

Buenas...
Me desculpem o texto gigante.
Me desculpem também ser um canceriano tão cético às vezes.
Eu ainda acredito no amor! Sério. A culpa é daquela minissérie dos amigos.

No mais beijos e/ou abraços, todos os meus.

13.2.08

Você


Você cantando Santeria (música da banda Sublime)...


no you tube, mas SÓ PRA MIM!!!!

Eu não resisto! To apaixonado.

Say It's Possible...

8.2.08

Post chato

Hoje eu acordei atrasado, ainda bem que tinha tomado banho, feito barba e passado a bendita camisa do uniforme (tenho uma relação de tesão e ódio com barbas e uniformes) na noite passada, noite essa que cheguei em casa as 23h30 e só consegui dormir as 1:43.
Acordar atrasado, sair todo errado, correndo rua afora na esperança que o motorista do ônibus também tenha dormido meia hora a mais, mas hoje o “fio-de-mãe” acordou no horário. Quando você pensa que está atrasado, você não está atrasado, você na real está atrasado ao cubo. Odeio Murphy! Odeio rotina do caráio! Odeio que o dia só tenha 23h.59min.59seg. Odeio não ter tempo pra ficar sem fazer nada! Ócio criativo, vai te catar Domenico De Masi(ado). Odeio que meu fim de semana passe tão rápido. Mas enfim, hoje com todo esse stress matinal eu to mais crítico do que o normal, na real eu sempre fico mais crítico de manhã, neurônios “descansados” dá nisso, e o primeiro pensamento quando eu cheguei aqui na firma (abri a porta e já tava aquele bafo) foi que eu to cansado, cansado de muitas coisas, dentre elas coisas que não posso mudar agora, o que é mais foda. Também, depois de visitar alguns blogs, percebi que também to cansado de alguns tipos de gente:

Óia isso:

“Desenvolvendo a estória com dinamicidade, a edição é competente em deixar clara as elípses de tempo propostas pelo roteiro, ao mesmo tempo em que desenvolve um time ótimo que equilibra o rítmo do filme, mesmo quando a estória centra-se em eventos relativamente pequenos, mas de igual importância...”

- Puts veio, Querô é um tema simples (leiam o livro, prefiro e recomendo), tipo Cidade de Deus, Pixote, Como nascem os anjos, são clássicos, mas a história é sempre a mesma, eu até entendo que a coisa (sociedade) atual e pá-pá-pá... mas não precisamos de todas essas palavras bunitas né cumpadi? “elípses” é bom...

E segue:

“Em Tropa de Elite, o personagem do Capitão Nascimento é um policial que ver-se na obrigação de tomar atitudes violentas e criminais para dar um mínimo de equilíbrio a uma circunstância comum no Brasil. O personagem acha-se correto em suas atitudes e pontos de vista. Suas idéias e caráter foram formulados, desviados ou adaptados para aquela situação e já não existe delimitação entre o certo e o errado para quem é vítima e obrigado a viver em uma sociedade problemática”

- Puts denovo, neste parágrafo a palavra chave é “delimitação” (estudando pra concurso a gente aprende a achar a palavra chave nos textos, sublinha hehehehe). Aliás, os dois parágrafos são do mesmo texto, nem vou comentar... Outra coisa, também caguei pro Tropa de Elite, caguei pro Capitão Nascimento, nunca gostei do Wagner Moura mesmo, desde “Caminho das Nuvens” não o suporto em definitivo, com Bebel ou sem Bebel pra mim já foi demais, casou certinho ele com aquela operadora de telefone, não acharam? Ninguém (eu: porque não dá pra falar por todos) merece os dois!

Ah, ontem eu tava lendo os textos/entrevistas do João Pereira Coutinho da Folha de São Paulo [também não sei quem é esse, cheguei lá por uma entrevista que ele fez com o Diogo Mainardi (aquele polêmico que atira pra todos os lados sabe? Poisé...) que recebi por e-mail, então esse João Coutinho que pode até ser mais um enganador de palavras bem escolhidas, não sei... não coloco minha mão no fogo por quase ninguém ultimamente], mas ele no texto “Caros Leitores” reponde a várias perguntas, e entre um blasé e outro tem lá a pergunta: “O que você acha dos blogs?” e a resposta: “O mesmo que o bardo: much ado about nothing.”

Pois então, acho que isso resume muita coisa, não concordo plenamente com a afirmativa, até porque leio muitos blogs e gosto bastante do que muitos escrevem, as vezes, muitas vezes, mais da forma do que do conteúdo tenho que confessar, mas enfim, to cansado desse tipo de pessoa que fica enchendo lingüiça, comentando filme, ou qualquer outra coisa (tem gente que comenta até a marca da coleira do cachorro da vizinha) de uma forma tão, tão, tão... não sei nem como explicar esse tão... tão rebuscada que parece que ta defendendo tese pra uma banca composta por mauricinhos bem abotoados, com o aurélio e suas palavras bem escolhidas, embaixo do braço.

Bom, acabou, eu disse que era um post chato, ta lá no título, mas me desculpem mesmo assim meu much ado about nothing.

Meu ano começou agora. Já acho que preciso fazer análise.

Abraço, bom final de semana.

29.1.08


estava aqui agora mesmo
onde fui parar
entre o movimento e o momento
num contratempo, um alugar
paina planando no vento
mosca de tarde no bar
se não me engano era eu mesmo
esse que saiu pra passear
ponte pênsil do pensamento
lá vou eu ou o que seja
um instante fora do ar

(Fonte: http://www.ricardosilvestrin.com.br/)

11.12.07

a vida tão a sério...

Hoje eu preciso estar só, só eu e meus pensamentos, só eu e meus choramingos, só eu e as cartas de recomendação inúteis, só eu e os xérox dos papéis que eu preciso rasgar o quanto antes pra tentar esquecer mais rápido depois, só eu e minhas pretensões, frágeis emoções e sonhos guardados. Talvez eu chore quando encontrar novamente meu travesseiro. Quando apagar a luz do meu quarto e me encontrar o mais sozinho possível. Só eu e o vento soturno gritando e balançando a janela. Hoje caiu um castelo que eu tentei erguer bem longe daqui, não vai mais acontecer, enfim. Teve vezes, por inúmeros motivos (pessoas e coisas que amo aqui) que pensei não fosse tão importante, aquela coisa do tanto faz, das duas opções serem boas, mas hoje quando recebi o resultado, eu tive que confirmar três vezes, depois precisei sentar e pensar em tudo que eu ainda posso, tenho pra fazer, daqui pra frente. Eu sou uma dessas pessoas que precisa estar constantemente colocando objetivos na vida e quando algo não acontece sente como desse dois passos pra trás, e apesar de caranguejo tudo que eu odeio é me sentir não andando pra frente, perdendo seja o que for, mesmo que seja tempo, fôlego, oportunidades, novos sorrisos. Eu carrego sempre no bolso uma ânsia pelo futuro e isso me faz sentir mal quando vejo meu horizonte diminuir, ou mesmo quando tenho que parar e repensar caminhos, esperar dias, meses, talvez anos, novamente para tentar, de novo, fazer as mesmas coisas. Eu odeio quando fico pessimista assim. Acho que sou meio-muito metódico. Sabe aquilo de se sentir pequenininho que eu falei no post anterior? É como estou agora, é como estarei hoje, amanhã e não sei por quantos dias mais. Não sei por quanto tempo a lembrança do que poderia ter sido vai me deixar assim. Tem muitas coisas que ainda não aprendi a lidar, acho que com a perda nunca saberei. Alias quem sabe? Odeio (ter que) levar a vida tão a sério...

29.11.07

Um pouco sobre nada, e tudo.

Estou aqui olhando para as paredes. As vezes me sinto fraco. Nei Lisboa canta em inglês alguma coisa que não sei. Poucas coisas me tocam. Penso quanto seria bom se você já estivesse aqui comigo, como seria bom saber onde você está agora, o tom da tua voz, a intensidade do teu olhar, a consistência dos teus cabelos. A vida é branca quando vamos sozinhos sabe? Não tem cor mais feia que o branco, o branco é ausência. Na vida a gente precisa de contato. Calor humano. Deixa eu te dar um exemplo: meu apartamento é o 311, fica no final do corredor, quando eu saio bem cedo todos estão dormindo, quando eu volto bem tarde todos já chegaram. Ninguém mais quer contato entende? Ninguém mais sabe viver. Se eu pudesse acabaria com a eletricidade, proibiria pessoas solitárias de comprarem carros e apartamentos de um quarto. Diz pra mim que você sabe que algo está errado, diz pra mim que devo continuar esperançoso, que você não demora, diz? Eu trabalho na rua, ninguém respeita quem trabalha na rua, me diz que você não é assim? As pessoas me olham como seu eu fosse doente, ladrão, como se eu não fosse nada entende? Não sei se você está lendo estas linhas, também não sei se ainda consigo ser coerente, às vezes eu perco o rumo sabe? Eu sento aqui todo dia, no mesmo horário, na mesma cadeira, coloco Isabella Taviani bem baixinho e deixo sair, começo a escrever, só penso em você e em preencher o branco. Sinto vontade de cantar uma canção bonita falando da vida em ré maior, alguma coisa de filosofia e um mundo bem melhor. Queria gritar, chorar, até dormir, mas já passou das 22 e a última coisa que preciso é que alguém venha me destratar. O mundo é cão sem dono, daqueles pra quem as pessoas jogam migalhas, mas ninguém leva pra casa, ninguém se importa realmente entende? Hoje meu coração ta no piloto automático, quase não bate e quando durmo quase não respiro. Você viu aquele filme Click? Pois é, acho que apertei o botão pra minha vida ir bem devagar e agora tenho tanto tempo, pouco ar e muitos espaços. Durmo com três travesseiros pra preencher o vazio da minha cama. Eu choro com comédias sabe? Rir sozinho agora me faz chorar. Todo dia é tão igual. Você já se sentiu assim tão pequenininho? Assim como se qualquer coisa fosse o bastante pra te fazer chorar? Esse cazuza é tão engraçado, ele não entendia da vida, ideologia, quem precisa desse troço? Deixa eu te contar, outro dia eu tava lendo Platão e lá na página 121 diz assim:
encontrei um modo de permitir que os homens existam, mas domesticados, tornando-os mais fracos: cortarei cada um deles em duas partes... caminharão tesos sobre duas pernas... cada uma das metades pôs-se a procurar a outra... quando se encontrarem, abraçaram-se e se entrelaçaram num insopitável desejo de novamente se unirem para sempre... é daí que se origina o amor que as criaturas sentem umas pelas outras; e esse amor tende a recompor a antiga natureza, procurando de dois fazer um só, e assim restaurar a antiga perfeição... cada um de nós é a metade da senha... quando encontram a sua metade correspondente... não desejam estar separados nem um instante sequer... e são essas as pessoas que vivem juntas toda a vida”.
Eu já te amo como jamais poderia, se soubesse como te encontrar. É tanto que as vezes sinto que sempre sou eu que chego atrasado. Juro que até consigo sentir o teu cheiro ainda no ar. Me desculpa todos estes pontos de interrogação, acho que isso me dá a sensação de que não to tão sozinho, de que você está bem perto, entende? Ontem eu chorei muito, eu não gosto de ver televisão. Passou no canal da ULBRA “O primeiro ano do resto das nossas vidas” e depois “Paris Texas”, dois socos no estomago. Um depois do outro. Hoje é mais um dia normal. Eu estou bem. Ainda tenho um pouco de esperança: quem sabe amanhã seja o tão esperado dia, dia em que a gente vai se encontrar, no olhar perceber que já fomos perfeição outrora, daí todos os instantes farão sentido. Sei que tudo está perdido, mas Renato Russo disse que existem possibilidades, e eu preciso acreditar nisso.

20.11.07

ácido-base

Quanto mais se aproxima o momento mais eu fico sem saber o que fazer, todas as minhas certezas de ontem, e de antes de ontem, já não valem nada agora, minha barriga está estranha, parece que tem um alien crescendo no meu estomago. Algo tomou meu coração e fugiu antes que eu pudesse fazer qualquer gesto, tudo bem eu não tinha qualquer vontade de fazer gesto algum, só espero as horas que teimam não chegar, esses malditos ponteiros. Minhas mãos estão suadas e hoje nem é dia quente. Tem mil demônios gritando ao mesmo tempo na minha cabeça. Toca o telefone e não é pra mim, acho bom, hoje não é um bom dia pra falar. Hoje eu não tomei café, não fui pra aula de inglês, não almocei e já são treze horas e dezessete minutos, hoje eu preciso não ter nada dentro de mim pra poder suportar a angústia. Hoje eu já roí todas as minhas unhas, meu dedão sangrou no cantinho e fiquei paralisado olhando àquele vermelho.

Ontem eu liguei e uma voz de mulher mal comida me atendeu, justamente num local em que as pessoas precisam ser acolhidas recebi um atendimento indiferente, seco. Alias, quando tomei coragem e fui lá, na primeira vez, precisamente 12 dias, 5 horas e não mais que 24 minutos atrás, tudo me pareceu indiferente, a gente chega e não têm placas, informações visuais, direções claras, mesmo que a gente não queira falar, olhar na cara de ninguém, ser invisível enfim, é obrigado, pra se orientar, perguntar pra alguém. Na minha imensa “sorte” embestei de perguntar pro guarda da portaria. Ele me olhou como se eu já estivesse morto e me apontou para o fundo do pátio, via-se sua falta de vontade, sua expressão, levantou aquele braço como se tivesse colocando terra encima da minha sepultura, inclusive tive a impressão de que ele cuspiu no chão quando me virei, mas não olhei pra conferir, que morra infeliz.

Hoje segui o mesmo caminho de brita e cimento até o mesmo fundo, parece que tudo que se refere a isto tem que ser colocado no fundo, num canto, bem longe. Acho que as pessoas sentem-se mais seguras assim...

Cheguei lá e o carinha da recepção me olhou com os olhos baixos, me devolveu o questionário que havia preenchido da primeira vez, certamente lera meu questionário, e uma rodela de madeira com o número três. Sentei no sofá de couro preto e fiquei olhando pra TV, estava em um destes programas de culinária e eu já não tinha estomago. Tudo naquele lugar era tristemente limpo. Minha mão ficou infinitamente pequena pra segurar o formulário e o número 3 juntos, quando segurei o formulário na outra mão notei um “S” escrito no canto esquerdo, parte superior do documento, ali onde a gente, normalmente, numera as páginas no Word. Fiquei pensando o que queria dizer aquela letra, muito bem escrita, bem reforçada com várias passadas de caneta vermelha.
“S” de sim, sabia, são, salvo, santo, santificado, se fudeu ou sabe deus?

De repente abre a porta e uma mulher de belos óculos e dentes amarelos me chama, entro e vejo na mesa os números “1” e “2”. Quem eram aquelas pessoas? Tinham um “S” escrito em seus questionários? Depois de cinco minutos de conversa, quando eu já não mais podia esperar, ela me deixa ver:

Resultado: NÃO REAGENTE/NEGATIVO.

Respirei fundo, alguém me dava mais uma chance.

*****
-- Engraçado como por mais que a gente tenha certeza de um resultado, só um nanômetro de dúvida já é suficiente pra morrer de ansiedade. Quem tiver dúvida é melhor saber logo, alias, em todos os casos é melhor saber logo... A vida é tão importante...
Camisinha, assim como respeito, sempre povo!
Nada definitivamente vale a pena...

7.11.07

Minha parte

Se não me engano a gente tinha combinado de apenas ficar junto, de comprar pipoca, chocolate, suco de pêssego, escutar música alta, cantar errado, gritar, transar e assistir o filme In the Mood for Love que vai passar na TV mais tarde. Mas daí acordei e você tinha saído sem dizer nada, como outras muitas vezes já havia feito, e eu fiquei pensando em tudo que eu ia sentir se você não voltasse...

Eu vou sentir saudade do teu cheiro no meu nariz, na minha roupa de baixo, de você reclamando de cada vez que eu mexo no teu cabelo, de eu elogiando sempre o brilho dos teus olhos e de todas as outras reclamaçõezinhas.

Vou sentir saudade das cócegas, da tua mão pesada, das massagens, do quentinho do teu corpo.

Vou sentir falta de não ter te dito que eu morro de vontade de fazer amor na varanda, na chuva e no jardim em noite de lua cheia.

Vou sentir saudade de te fazer companhia no chimarrão, das conversas sobre carros, filmes e música antiga, sobre o que fazer da tua vida e da minha.

Vou sentir saudade de ir no Trianon, de discutir contigo o pequeno fato de eu ser colorado campeão mundial FIFA e tu apenas um gremistinha.

Vou sentir falta de não ter te dito o quanto eu te acho chato as vezes e o quanto eu te amo todas as outras.

Vou sentir saudade de não ter conseguido te convencer a caminhar domingo de tarde comigo, tomar suco de mamão com laranja na Lancheria do Parque, comprar uns livros usados ou, quem sabe, ir naquela sorveteria, da Felipe Camarão, que eu adoro.

Vou sentir saudade de ficar brabo com você revirando o meu cabelo, de sentir você me mordendo e dizendo que eu tenho o cheiro mais gostoso do mundo todo.

Vou sentir falta de não ter te levado lá em casa, de não ter podido te mostrar de onde eu vim, das pessoas e coisas que eu acho importante.

Vou sentir falta de não ter conhecido teu sobrinho hiperativo, aquele gordinho que faz caretas quando estamos conversando no msn.
Mas me desculpa escrever tudo isso, só estou muito cansado de tentar te convencer de que a gente podia dar certo junto, e de que as vezes fazer o que o outro acha importante é uma forma de demonstrar o amor.

Sei lá, talvez tu goste, talvez tu se irrite, ache idiota. Independente do que achares não precisa responder.

Só precisava te dizer tudo isso, precisava fazer a minha parte.

24.10.07

Philadelphia - Neil Young

Como você sempre me disse, sem que eu pedisse, mencionasse as palavras que quem diz espera em troca, eu sempre acreditei. Naquele tempo apenas te olhava e sorria sem jeito, eu não estava pronto pra fazer nada além, entende? Naquela época eu só queria uma companhia, não se tratava de um conto de fadas. Eu só pensava que era jovem e que precisava aprender-viver, mas agora, olhando pra traz, percebo que te amei, amei com todo o entendimento que vinte anos podem conferir a alguém.

Eu nunca soube como esqueceria você, e eu ainda não sei. Você ainda está no meu pensamento. Eu não penso mais em você todo dia. Só às vezes quando reviro as gavetas e percebo que lá você está. Bem guardadinho, enrolado, com cuidado, em um barbante de pacote de farinha de trigo, naquele canto arejado, limpo e livre de umidade. Por mais que eu não queira prestar atenção em você não dá, você contrasta com tudo que tem lá dentro.

Quando te lembro eu tento dizer a mim mesmo que estas coisas acontecem, fazem parte da vida, que eu tenho que aprender com isto, mas penso que não encontrei o que deveria aprender quanto a nós. Às vezes penso que o aprendizado é de que a saudade dói, que a palavra é bonita, mas fere, e fere por muito tempo, que eu tive a melhor atitude mesmo achando que quebrar tudo, te mandar longe, seria melhor, teria deixado fluir mais real tudo que venho depois.

Sim, é verdade, eu vim de uma destas famílias tristes e só, onde lembranças não serviam pra nada, onde lembranças não diziam quem você é, e sim quem você era ou não poderá ser mais. Uma destas famílias que vivem abaixo de um céu daltônico, onde as coisas não têm valor porque não se sabe ao certo a cor que elas têm. Como o abraço na noite de natal, os desejos no primeiro do ano e o beijo de aniversário, estas coisas que a maioria faz porque é dia de fazê-lo.

Hoje eu sei que quando eu te reencontrar, vou estar diferente e talvez eu nem te reconheça. Talvez apenas te olhe e te ache parecido com alguém que fez sentido um dia. Talvez eu olhe e sorria com o mesmo sem jeito de antes, talvez eu mesmo sabendo que te amei e te amo, ainda não esteja pronto pra dizer nada. Quanto mais o tempo passa mais as nossas perguntas mudam e respostas que a gente esperava já não fazem tanto sentido.

Sabe a cena última daquele filme triste, aquela do garotinho correndo na praia? Aquilo sempre me faz chorar... Antes eu pensava que era por causa da música, mas depois descobri que era tudo: a música, aquele garotinho tão indefeso, tão cheio de vida, tão ingênuo quanto a tudo que o mundo e a vida é, aquele garotinho tão eu há tempos atrás. Antes de você.

19.10.07

Hope There's Someone - Antony & the Johnsons

Procura
-
Eu ando pela noite
Me esquivando dos fantasmas
Tropeçando nos dementes
Me sentindo sempre ausente
-
Eu te procuro a cada esquina
Te confundo nas vozes das meninas
Minha visão sempre me engana
E o pobre coração, ainda conserva, uma eterna chama
-
O tempo passou, eu sei
Mas você aqui dentro ficou, eu não sei
Como resistir sem pensar
Te esquecer, no meu olhar
-
Queria poder fechar meus olhos, me esconder
E lá, bem lá no fundo
Não mais encontrar
Resquícios de você
-
Mas, a lua cheia me persegue
Me olha, me abana, me chama
Pra tentar tornar mais claro
Que apenas sou eu, quem ainda ama.


Pra onde
-
Se os guarda-chuvas perdidos vão pros anéis de Saturno.
Pra onde vão os pé de meia perdidos?
Os sonhos perdidos?
E a outra metade das meias verdades?
Quintana!?


Direções
-
O frio corta minhas mãos,
a chuva me afoga e eu ainda estou de pé.
Não há onde se esconder.
A música perdeu sentido.
Os amigos se foram e eu quase morro,
mas não,
sobrevivi,
para estar aqui,
agora,
sem era nem beira,
sentado nesta terra vermelha,
olhando calor no asfalto,
pensando qual direção vou,
se subo,
ou desço,
a rua,
na contramão.

18.10.07

Agora você

(Figura: http://wiskowcontos.blogspot.com/ )


Olha, me percebe, fica sem jeito, perde o rumo
Dá um sorriso assim meio bobo
Meche no cabelo, coça a barba, dá um sinal

Chega mais perto, toma a atitude
Fala, deixa eu ver como você começa
Faz-me rir, mas não se fragilize em piadas

Fala comigo, nota meu sem jeito, minhas palavras engasgadas
Me tranqüiliza, conta do teu dia, me mostra tua alegria
Deixa eu ver teu olho brilhar, deixa eu ler no teu olhar

Olha bem dentro de mim
Procura nos meus olhos o que escondo no coração
Tudo taí, não tem ilusão

Segura forte a minha mão
Não apressa a situação, eu gosto de educação
Apenas faz suspense ou digo não

Percebe quem sou e o que eu quero de você
Não deixa o tempo se perder
Faz por merecer

Continua a falar, diz-se feliz por me encontrar
Não querer estar em outro lugar
Diz querer-me reencontrar

Entende, a noite vai acabar
Talvez nunca mais vá me encontrar
Me convence ou, pelo menos, faz eu me enganar.

3.10.07

Bom dia


Sentado na beira da cama ele tocava violão para mim. Eu o amei de cara. Primeiro porque eu sempre fui um zero a esquerda pra tocar qualquer instrumento musical, segundo porque eu adoro gente habilidosa com as mãos e terceiro porque ele parecia muito, mas muito, feliz tocando e cantando aquilo. Mesmo que não tocasse tão bem algum acorde ou não lembrasse uma parte da letra ele persistia, persistia com um sorrisão de criança, criança que acorda de manhã e acha um presente ao lado da cama. Ele ainda ficava fazendo caras e bocas, piscando e mandando beijos. Tudo isso com um jeito meigo próprio, movimentos curtos e com o olhar mais doce que eu já vi. Eu sabia que conhecia seu rosto, mas não lembrava do nome. Estava sentindo aquela sensação boa, sensação boa que sinto quando estou com alguém que está num momento feliz. Algo que completa, preenche. Tive vontade de abraçá-lo, ou ficar só admirando, babando (como quando fico paralisado observando o sol entrar pelas frestas da janela), vontade de morder-lhe as bochechas, beijar-lhe os lábios com toda força, tocar seus cabelos, lamber-lhe o pescoço, a orelha, até que se arrepiasse todo ou que caiamos no chão em uma luta coberta de risadas e depois suor. Não resisti, nem que quisesse conseguiria. No momento que caímos, acordei sozinho no chão do meu quarto. No meu rosto um sorrisão de criança, no rádio Damien Rice e no coração ainda aquela sensação boa. Bom dia disse pra mim, ainda deitado no chão.

24.9.07

Tudo é rápido demais


A campainha tocou insistentemente, ainda meio dormindo seu cérebro trabalhava “não é aqui, não é aqui, filho da puta”, de repente o corpo rendeu-se e ela despertou num pulo, já pensara mil vezes em perguntar a síndica como diminuir o volume daquela campainha, não precisava tanto para um apartamento tão pequeno de paredes tão finas e próximas, ainda mais porque sua cama era o sofá da sala, e a sala era, bem dizer, na frente da porta. Sentou meio atônita, tudo na sua cabeça ainda não encontrava-se sincronizado, lembrou da bebedeira solitária da noite passada e no exato momento sua cabeça começou a doer, droga de vida, droga de vinho barato, droga de ressaca pensou. Pegou no chão ao lado dos sapatos virados de cabeça pra baixo o sutiã branco encardido, não iria abrir a porta com aqueles peitos caídos, vestiu o sutiã e andou em direção ao banheiro com a cara de quem odiava ser acordada, ainda mais com aquela campainha ecoando na sua cabeça, olhou no espelho e não se reconheceu, não via nenhuma vida naqueles olhos tristes de lápis preto borrado, naqueles cabelos mal cortados, nem no seu piercing do nariz. Lavou a cara rapidamente, pressionada pela campainha que ainda tocava, chupou a bisnaga de pasta de dente e fez um bochecho rápido, saiu do banheiro pulando num pé só, tentando colocar a maldita saia, voltou correndo para o banheiro, onde estava a porra da escova de cabelo? Depois de pentear os cabelos com a escova encontrada no chão, ao lado da privada, começou a ensaiar um sorriso no espelho, não lembrava da última vez que sorrira espontaneamente sem chorar logo na cena seguinte. Enquanto não encontrava um sorriso rápido que não parecesse triste a campainha silenciou-se. Correu para porta, bateu com o dedão no canto do sofá, gritou abafado, seus olhos encheram-se de lágrimas, e quando olhou no olho mágico viu a felicidade indo embora. Pensou em abrir a porta, daí lembrou-se que atirara as chaves pela janela na noite passada quando iniciara um suicídio fracassado.

Já não havia mais tempo.

14.9.07

Sabe o que fazer?

Foto: Le Funambule - Jean Genet
Hoje faz um ano que ele passou por mim e nossos olhares se encontraram, mas os pés continuavam indo em direções opostas. Nota oito pensei. Depois de um tempo olhei pra traz e ele também olhou, andei mais um pouco e olhei de novo e ele também olhara, quando a distância já o deixava do tamanho de meu dedo indicador eu olhei pra trás pela que seria a terceira e última vez e ele estava parado me observando, daí eu parei também, de repente ele começou a andar na minha direção. Era a primeira vez que aquilo acontecia, minha nuca gelou a perna bambou, eu não sabia se ficava esperando ou dava um jeito de desaparecer dali. E quando ele chegasse o que diria? O que eu faria? Fiquei parado. Ele chegou e não parou, passou por mim sem pronunciar nenhuma palavra, mas dizendo o que precisava ser dito com o olhar. Seus olhos eram tristes e indecentes ao mesmo tempo, neles pude ler que era para que eu o seguisse e foi o que fiz, passamos por inúmeras pessoas ele uns 10 metros na frente e eu atrás, vezenquando olhava pra traz para ver se eu ainda o acompanhava e eu ainda estava. Não sabia o que aquilo ia dar, nem onde estava me conduzindo, mas eu pela expectativa continuava a segui-lo, num certo momento ele entrou em um prédio, parecia que sabia onde estava indo, eu ainda não, daí ele dobrou à esquerda e um corredor longo e escuro apareceu do nada, percebi ao longe um placa de banheiro público, pensei comigo: não, ele não vai entrar ali. Ele entrou. Eu entrei logo após. Era um banheiro grande, não tão sujo quanto nos meus sonhos mais podres, quatro reservados a esquerda, um mictório de inox comprido ao fundo perto da janela e uma pia de mármore áspera na direita, as paredes eram de um amarelo velho, muitas obscenidades escritas nas portas azuis dos reservados com errorex e caneta. Logo que entrei não o vi de cara, mas ao olhar para o vão na parte inferior das portas dos mictórios enxerguei seus pés, tênis Nike cinza com verde encardido, entrei no reservado exatamente ao lado, percebi que ele estava mijando e eu aproveitei pra fazer o mesmo, levantei a tampa da privada, abri a braguilha e aliviei a pressão, quando sai fui direto à pia lavar as mãos, olho pro lado ele estava no canto fingindo usar o mictório, lavei minhas mãos com o olhar indecente que antes era dele e agora meu, sequei-as com o papel higiênico e caminhei na sua direção, eu não sabia o que iria fazer, mas fui até ele e coloquei minha mão na sua cintura, fez sinal com a cabeça que havia outra pessoa nos reservados, eu saí de perto dele e entrei rapidamente em outro reservado, nesta hora eu já estava com o estômago na garganta e gotas frias escorrendo nas minhas costas. De repente ele abre a porta do reservado, entra e tão logo fecha-a, agora éramos dois em um espaço de dois por um metro e poco, junto com uma privada e uma descarga branca e velha destas com cordinha de nylon. Eu estava sem ação naquele momento, mas ele demonstrava que sabia o que estava fazendo, meu tesão já estava a mil só pela expectativa, adoro quem me passa a impressão de saber o que fazer quando eu não sei. O elemento sem nome, porque não perguntei, também não queria saber, subiu na privada e abriu o zíper da calça e botou pra fora. Meu sangue subiu, antes eu não sabia o que fazer, mas naquele momento eu compreendi o que devia e o fiz, imediatamente, disse: cara, não vou te chupar! Olhei bem praquela cara de quem não entendia nada, abri a porta e sai sem olhar pra trás, ele ficou lá com a braguilha aberta e o pau pra fora. Quando eu estava novamente no corredor me lembrei daquela história da freira e sua táctica pra fugir de estuprador. As vezes, muitas vezes, eu provoco, eu gosto disso, as vezes eu não sei o que falar e também o que fazer, nesse momento eu preciso que o outro saiba, as vezes eu só quero ver até onde as pessoas vão, a partir dai, conforme a situação, eu decido e ninguém precisa entender mais nada.

4.9.07

A flor da pele



Ele ta num período de expectativas, e ele odeia profundamente ser obrigado pelas circunstâncias a esperar, a espera faz com que ele tenha poluções noturnas e isso é foda quando é sua mãe que lava as roupas de cama. Ele queria correr nú no intervalo da aula, ó Jesus, olhar pras chapinhas-com-meninas em suas blusas roxas com um manga só e mostrar o pau e correr feito louco, pular na caixa d’água da escola e peidar só pra ver algo explodir, depois só sair vencido pela guarda do sr.-voto-de-pobreza-boiola-diretor, nosso mui digníssimo mentor espiritual, será que se der mole ele cai? Mas no momento ele apenas escreve essa porra e rói as unhas da mão esquerda, enquanto escuta zeca baleiro. “cavalo sem cela, um bicho solto, um cão sem dono, um menino, um bandido, às vezes me preservo noutras suicido, oh sim eu estou tão cansado”. A vida monótona castra o ser humano. Lá fora uma guria ta gritando feito idiota, acho que ninguém disse pra ela que homem não gosta de comer mulher histérica. Ou será que gosta? Essa vida clean dá coceiras. Ser idiota neste momento é questão de saúde. As vezes ele se sente preso. A vida moderna é tão enfadonha e os momentos de insanidade temporária que se dá o direito parecem não mais resolver a situação. Acho que vai fumar maconha com o vizinho do olho de peixe. Talvez beba até esquecer o endereço de casa, transe com um ou dois desconhecidos num banheiro público e acorde desmemoriado, sem registro geral, cadastro de pessoa física, carteira de motorista, cartão da unimed, da panvel, da livraria cultura e com as meias úmidas e sujas de grama. Talvez se apaixone por um taxista pai de família e sifilítico com uma boa pegada ou talvez coloque anúncio no jornal vendendo o corpo por mixaria pra homens oleosos, de meia idade, olhos tristes, pouco cabelo e de nome Sérgio ou Ari. Tanta coisa pra pensar, muita coisa pra fazer. Ainda tem as unhas da mão direita e mais uma hora de trabalho uniformizado até bater o ponto e poder sair.

31.8.07

Abraço

Quanto maior o abraço,
+ gostoso ele é !!!

Então um abração grandão assim pra você que vem aqui, você que lê o que eu tento escrever, você que comenta, um abração ESPECIAL pra FAL (força!), pra SUZI, MANI e todos as pessoas que estão ali na lista dos favoritos (PILLS), cada um tem uma razão de estar ali, boas razões, sempre.


Tenham todos um excelente final de semana!
Aproveitem, a gente só vive uma vez (alguém disse isso, mas não lembro quem).

Abraços. Sinceros.
Tônio

20.8.07

Escuta


Quando o próximo avião passar, ou trem, ou ônibus, charrete, sei lá, algo com rodas, algo que vá mais rápido e mais longe do que eu posso ir a pé, talvez eu o pegue viu?
A minha decisão já está tomada.
Você é a única pessoa que estou convidando a vir comigo.
E este convite eu te faço com toda a antecedência que eu tenho agora.
Não me pergunte quando, pra onde, eu ainda não tenho todas as respostas.
Eu preciso que você esteja pronto quando o tempo terminar.
Eu sei que quando acontecer eu vou ter que carregar meu coração pesado e eu não vou poder te dar a mão, então você vai ter que seguir meus passos.
Se quiser é claro. Eu espero que você queira...
Mas não precisa dizer nada, em nenhum momento...
Eu só to dizendo tudo isso porque eu preciso me escutar te dizendo que eu quero que você venha.
Mas eu sei que é uma decisão dura e eu não posso tomar ela por você.
Tem um mundo lá fora me chamando e eu preciso ir entende?
Eu quero te deixar avisado porque eu não sei quando eu vou voltar...
Eu sei que essa é uma decisão egoísta, mas se eu não a tomar talvez eu nunca saiba ao certo o que tem além do que eu posso enxergar no espelho.
Meus pés também já estão cansados de andar pelos mesmos caminhos,
Já não tem mais graça contar quantos passos levo pra chegar aos mesmos lugares.
Meus olhos já decoraram esta paisagem cinza e parece que nada vai mudar por aqui no próximo século.
E eu ainda tenho muito pra mudar em mim.
Meu nariz já acostumou com este cheiro que eu não nunca consegui distinguir,
E você já deve ter percebido que eu nem tento mais, alias, são tantas coisas que eu não tento mais.
Mas isso agora é real, eu só não posso estar desatento quando a condução chegar...
E quando ela passar eu só quero me lembrar desta conversa.
E ouvir passos aonde eu for.

14.8.07

Resposta


Garoto, você parece tão eu há tempos atrás, teus escritos me levam a um lugar não tão distante, um momento em que eu pensava saber fazer “acontecer de novo”, um momento em que tudo em mim era para sempre, um momento que eu gostava de ilusões fáceis.

Gosto de como você, com palavras simples, consegue dizer as tua coisas.

Crescer é inevitável, manter-se jovem é opcional. Crescer parece chato porque tem tanta gente que esquece que a vida não precisa ser levada a sério todo santo dia, outra coisa é que existe muita gente que nasce chata e crescer só torna isso mais evidente.

Antes eu também não queria crescer, mas depois eu percebi que não era nem jovem nem “adulto”, eu era alguém eternamente em transição e isso só roubava o meu fôlego, isso só me atrasava.

Hoje eu gosto de não ser mais o mesmo todo dia, ou sempre que posso, eu me dou alta de mim e de quem não me acrescenta.

Bom, já escrevi demais,

a gente se fala...

19.7.07

Porque que a gente é assim?

Tem muita coisa acontecendo aqui dentro e aqui fora também, tem muitas idéias que estão fora de lugar, muitas respostas que eu ainda to tentando entender... Sabe quando tua vida começa a se direcionar para algum lugar? Você anda devagar mas suas pernas são cada dia mais longas? E você começa a pisar em ovos? Pois é, assim estou! Ninguém me avisou que depois de formado tudo ficaria mais urgente! Agora me encontro tentando controlar os ventos do Sul e os do Norte, tentando não me perder na multidão, ancioso para acertar e ao mesmo tempo com medo de acertar exatamente onde vai doer mais.

Hoje eu li isso:

“Tornar-se verdadeiramente livre é opção de poucos e que os diferencia,
definitivamente! É uma responsabilidade a ser conquistada, dia a dia, com
criatividade, coragem e inteligência!É abdicar de privilégios fáceis e aprender
a trabalhar para conquistar espaços, com mérito próprio, assumindo riscos,
enfrentando obstáculos e valorizando a pluralidade! É exigir o respeito que se
merece e lutar, justificadamente, pelo que se acredita! É repudiar a ausência de
veracidade, eqüidade e justiça nas relações, independentemente de qualquer
pretexto aludido!É romper as barreiras da conveniência, objetivando conquistar a
oportunidade de vislumbrar para além de paradigmas postos!É ser independente (e,
não contraditoriamente), integrado e integrador! É assumir publicamente a não
conformidade em ser tratado como se fosse apenas mais um(a)!
É tornar-se um ser maravilhosamente único e verdadeiramente merecedor de respeito!” (Lennon?)